PARANDO PRA PENSAR sobre a igualdade em um cenário de vulnerabilidade
Certo dia, enquanto tripulante de uma ambulância, e após ter deixado um paciente extremamente grave na unidade hospitalar, pensei no quanto o ser humano é pretensioso ao achar que é superior a outrem. E sempre que eu me deparava com uma situação dessas, de atendimento como esses, envolvendo acidentes de carro, de moto, vítimas de arma de fogo e afins, sempre pensava no limiar da sobrevivência como algo tão fino, algo tão frágil, sempre pensando naquela expressão de que "para morrer basta estar vivo". E isso me faz, mais ainda, não entender como uma pessoa ainda pode achar que, pelo fato de ter um cabelo liso, uma pele clara ou mais dinheiro no bolso pode ser melhor do que outra pessoa. Parece uma conclusão fria, mas não, ela é a realidade: no final das contas, todo mundo fede igual; no final das contas, o sangue que escorre é vermelho do mesmo jeito; o osso que quebra, também. É tudo igual. Não entendo.
E, pensando assim, conclui-se que, de todas as doenças ou agravos à saúde, o trauma (acidentes) me parece o mais democrático. Algumas doenças, a depender de seu contexto econômico, sua cor de pele e etc. até podem repercutir no seu aparecimento; é o que se chama de fator de risco. No entanto, o trauma é democrático. E me refiro à fragilidade humana, à fragilidade anatomofisiológica. Não faz diferença para uma bala se sua cabeça possui conexões neuronais de um analfabeto ou de um pós-doutor, ela penetra do mesmo jeito. Para a faca, pouco importa se sua pele é branca, preta, amarela, ela perfura e corta do mesmo jeito. Para o fígado, no trauma abdominal, pouco importa se você come caviar ou água com farinha, ele é o principal acometido nessa situação e se rompe do mesmo jeito. A fragilidade é a mesma. E, diante da morte, pouco importa se você tem mil reais ou dois reais no bolso, o corpo apodrece e fede DO MESMO JEITO. Mas ainda há aqueles que se sentem, de alguma forma, superior ao próximo.
Isso não me faz necessariamente levar a vida como o simples e absoluto "Carpe Diem", para aproveitar o agora e ponto final, uma vez que "para morrer basta estar vivo". Não é isso. Essa ideia me parece muito radical. Mas o que é primordial é considerar a nossa fragilidade (enquanto ser humano, enquanto ser vivo, enquanto SOBREVIVENTE), tendo consciência de que o que você TEM NÃO FAZ DIFERENÇA NENHUMA em um acidente, em um cenário de vulnerabilidade à sua sobrevida.
Tudo isso permite a valorização das coisas. Há um provérbio que diz que "terminado o jogo, o rei e o peão repousam lado a lado na mesma caixinha". Acredito que pensar desse modo faz valorizar as coisas ao redor e, principalmente, AS PESSOAS. Diante dessa minha fragilidade enquanto ser vivo, que cuidados posso tomar, de que forma eu posso me prevenir, como eu posso contribuir para a segurança de outrem que convive no meu mundo, será que vale a pena eu me glorificar apenas por ter um carro do ano? Mas, no FINAL DAS CONTAS, não somos todos iguais? O carro do ano REALMENTE me faz melhor ou superior a alguém? Cabe parar pra pensar nisso.
Forte abraço!
Rafael Urquisa
Top irmão!!! Excelente reflexão.
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