05/05/2016

Por que, apesar de impactante, é bom trabalhar com acidentes?

 


PARANDO PRA PENSAR sobre a igualdade em um cenário de vulnerabilidade

Certo dia, enquanto tripulante de uma ambulância, e após ter deixado um paciente extremamente grave na unidade hospitalar, pensei no quanto o ser humano é pretensioso  ao achar que é superior a outrem. E sempre que eu me deparava com uma situação dessas, de atendimento como esses, envolvendo acidentes de carro, de moto, vítimas de arma de fogo e afins, sempre pensava no limiar da sobrevivência como algo tão fino, algo tão frágil, sempre pensando naquela expressão de que "para morrer basta estar vivo". E isso me faz, mais ainda, não entender como uma pessoa ainda pode achar que, pelo fato de ter um cabelo liso, uma pele clara ou mais dinheiro no bolso pode ser melhor do que outra pessoa. Parece uma conclusão fria, mas não, ela é a realidade: no final das contas, todo mundo fede igual; no final das contas, o sangue que escorre é vermelho do mesmo jeito; o osso que quebra, também. É tudo igual. Não entendo.

E, pensando assim, conclui-se que, de todas as doenças ou agravos à saúde, o trauma (acidentes) me parece o mais democrático. Algumas doenças, a depender de seu contexto econômico, sua cor de pele e etc. até podem repercutir no seu aparecimento; é o que se chama de fator de risco. No entanto, o trauma é democrático. E me refiro à fragilidade humana, à fragilidade anatomofisiológica. Não faz diferença para uma bala se sua cabeça possui conexões neuronais de um analfabeto ou de um pós-doutor, ela penetra do mesmo jeito. Para a faca, pouco importa se sua pele é branca, preta, amarela, ela perfura e corta do mesmo jeito. Para o fígado, no trauma abdominal, pouco importa se você come caviar ou água com farinha, ele é o principal acometido nessa situação e se rompe do mesmo jeito. A fragilidade é a mesma. E, diante da morte, pouco importa se você tem mil reais ou dois reais no bolso, o corpo apodrece e fede DO MESMO JEITO. Mas ainda há aqueles que se sentem, de alguma forma, superior ao próximo.

Isso não me faz necessariamente levar a vida como o simples e absoluto "Carpe Diem", para aproveitar o agora e ponto final, uma vez que "para morrer basta estar vivo". Não é isso. Essa ideia me parece muito radical. Mas o que é primordial é considerar a nossa fragilidade (enquanto ser humano, enquanto ser vivo, enquanto SOBREVIVENTE), tendo consciência de que o que você TEM NÃO FAZ DIFERENÇA NENHUMA em um acidente, em um cenário de vulnerabilidade à sua sobrevida.

Tudo isso permite a valorização das coisas. Há um provérbio que diz que "terminado o jogo, o rei e o peão repousam lado a lado na mesma caixinha". Acredito que pensar desse modo faz valorizar as coisas ao redor e, principalmente, AS PESSOAS. Diante dessa minha fragilidade enquanto ser vivo, que cuidados posso tomar, de que forma eu posso me prevenir, como eu posso contribuir para a segurança de outrem que convive no meu mundo, será que vale a pena eu me glorificar apenas por ter um carro do ano? Mas, no FINAL DAS CONTAS, não somos todos iguais? O carro do ano REALMENTE me faz melhor ou superior a alguém? Cabe parar pra pensar nisso.

Forte abraço!

Rafael Urquisa

28/04/2016

Qual o sentido da homofobia?


PARANDO PRA PENSAR sobre a necessidade pública da virilidade

Há algum tempo confesso que brincadeiras e piadas com homossexuais me faziam rir, assim como com qualquer outro contexto socialmente oprimido, ainda que eu não fosse o gerador delas, por haver um mínimo de respeito da minha parte pelo outro ser humano (independente de escolha sexual, cor, etc). No entanto, há pouco conclui que achar graça de tudo isso que acontece de forma insana na nossa frente, é também uma reprodução desse preconceito, ainda que inconscientemente, ainda que pensemos que rir não é nada demais. Errado! Rir é reproduzir a opressão. Rir é omitir socorro!

Hoje aconteceu uma coisa muito estranha, que foi tão surreal que eu ainda não estou acreditando se realmente foi verdade, se era apenas uma brincadeira e a "vítima" estava levando "numa boa" e eu quem estava demasiadamente preocupado com a situação; mas o fato é que foi uma coisa muito comum de se acontecer e ninguém reflete sobre isso. E o que mais me deixou indignado é que, apesar de pensar diferente de todo mundo ali naquela hora, eu fui omisso, eu reproduzi a opressão. Não de forma ativa, pois não agredi ninguém, mas também não defendi. E a partir do momento em que eu respondo com omissão, eu também sou conivente, eu também fico do lado que agride.

Largando às 19:15, com pressa por querer pegar um filme no cinema às 19:40, decidi trocar de roupa, após o trabalho, no vestiário conjunto, onde todos os funcionários o utilizam, algo que normalmente evito pelo fato de que a falta de educação elimina uns 50% do meu "life" do dia. Um exemplo disso é ter de compartilhar telefones celulares tocando músicas que eu não pedi para ouvir, discussões agressivas sobre futebol que eu não estou nem aí para quem ganhou ou perdeu, ou ter de colocar a roupa em cima dos sapatos para não colocar no chão, pois toda a prateleira está ocupada. Mas, hoje, eu preferi me trocar no vestiário conjunto.

Passados uns 2 minutos após eu ter entrado e começado a minha troca, percebo que um homem começa a se trocar próximo a um outro armário e um outro cara começa a fazer brincadeiras e piadas com um rapaz que estava há 1 metro de mim, do tipo: "cuidado, não se troca sem cueca aqui não, porque fulano tá aqui", e um monte de gente começava a rir, fazendo graça da possível sexualidade do rapaz. Se o cara era homossexual ou não, não sei, e tampouco me interessa, tampouco faz diferença para mim. Além disso, enquanto o rapaz, totalmente constrangido, com um monte de gente fazendo piadas e brincadeiras de sua sexualidade, e ele sozinho em meio a uns 8 homens escrotos, um deles dava tapas em sua bunda, enquanto ele se arrumava rapidamente para sair daquele contexto hostil. Ele, em minoria, acuado, sem poder para reagir, apenas pedia para o cara parar. Mas não adiantava.

Eu fiquei muito sério, meio desnorteado, sem entender o que de fato acontecia, exatamente por não conhecer as pessoas envolvidas nesse caso. Eu tentava entender se realmente havia alguma intimidade ali entre "amigos", se aquilo era algum tipo de palhaçada entre amigos, ou se realmente era um contexto homofóbico. E, nessa tentativa de entender, eu ficava com minha atenção e olhar totalmente direcionado para a "vítima" enquanto eu me trocava, tentando captar alguma resposta não-verbal que me fizesse entender o que estava acontecendo, e também torcendo para captar um: "Poha! Vocês me respeitem. Vocês podem pensar o que vocês quiserem, mas me respeitem. Não interessa! Isso é o mínimo! E a próxima vez que você tocar em mim (se referindo ao tapa na bunda), você vai para a delegacia". Eu estava torcendo para: ou captar que, de fato, aquilo era só uma brincadeira infantil e a própria vítima estava também levando na brincadeira (o que também não deixa de ser preocupante), ou captar que aquilo realmente era uma coisa séria.

E a conclusão não demorou. Entre tapas, brincadeiras e assédio moral, percebia que a "vítima" ficava cada vez mais inquieta, séria, constrangida e organizava seus pertences em uma mochila com uma rapidez que, se eu o tivesse imitado não teria perdido o horário do filme no cinema. Nessa velocidade em organizar suas coisas para ir embora de toda aquela zona de conflito, sem perder uma oportunidade, enquanto eu estava saindo do vestiário, ainda ouvi falarem: "Cuidado pra não rasgar a mochila com essa agonia toda! (E todos riam, como uma forma de valorização da ideia da soberania do HOMEM MACHO sobre o HOMEM MULHERZINHA)".

Não é preciso ser homossexual para se colocar no lugar de constrangimento que aquele cara passou, e também no MEDO que ele sentiu. Sim, medo! Claro! Vocês têm dúvida de que aquele cara sentiu medo? Como um ser humano deve se sentir diante de outros que não respeitam o seu semelhante? O mesmo deve sentir uma mulher, quando anda de saia à noite. O problema não está na escolha sexual, o problema não está na saia curta. O problema está na desumanidade cada vez mais presente na humanidade. E assim como não preciso ser homossexual para me colocar no lugar dele, também não preciso ser uma criatura escrota simplesmente pelo fato de ser heterossexual. E estou usando o termo "criatura escrota" como um nível acima do patamar "machista", uma vez que, inevitavelmente, ainda vivemos em uma sociedade machista, e ainda que se tenha um pensamento diferente, é difícil afirmar ser 100% não-machista. Isso seria hipocrisia, uma vez que ainda existem comportamentos e hábitos que ainda são "medulares" (fazendo analogia às respostas mediadas por reflexos oriundos da medula espinhal, ou seja, que não passam pelo encéfalo). É cultural (infelizmente) um comportamento ou outro machista, mas que bom que isso está em evolução. Entenda e perceba que não estou afirmando que: "ahhh, é cultural, sempre foi e vai ser assim, não posso fazer nada. Fodam-se, vão ter que conviver com isso". Nada disso. O que trago é apenas uma constatação histórico-cultural. O que podemos mudar é o presente e o futuro; mas a constatação sociocultural, não.

Diante dessa insanidade, muitos pensamentos no caminho de volta para casa: 1) "Por que eu não fiz nada?"; 2) "Eu poderia fazer alguma coisa?"; 3) "Se eu o defendesse, as pessoas iam pensar que eu também sou homossexual"; 4) "Pensar isso também não seria um preconceito da minha parte?"; 5) "Eu estou chegando agora nesse local de trabalho, talvez não entenda as relações que as pessoas têm entre si. Será que seria muita exposição eu chegar agora, do nada, e já ir me intrometendo numa discussão dessas pessoas? O que fazer?"; 6) "Será que eu não intervi porque também seria minoria e, no fim das contas, ia haver um deslocamento do assédio para o meu lado?"; 7) "A minha omissão permitiu tudo aquilo?"; 8) "A minha intervenção poderia interromper tudo aquilo?"; 9) "Será que eu fui covarde diante da minha omissão?"; 10) "Será que seria precipitação se falasse algo?".

Mas, então, eu me pergunto: qual o sentido da homofobia? O que leva um homem à colossal necessidade de tornar pública a sua virilidade? Qual a necessidade de mostrar que EU SOU MACHO PRA CARALHO E ELE É UMA BICHINHA MANHOSA? Qual a necessidade disso? O que se ganha com isso? Ganha-se mais respeito pelas outras "criaturas escrotas"? Faz sentido ser respeitado à medida que desrespeita outrem? Qual o objetivo de diminuir um outro ser humano simplesmente porque ele não compartilha dos seus gostos? Isso o torna menor? Isso o torna incapaz? Isso o torna objeto de graça? Ainda que fosse menor, incapaz e objeto de graça, o que se ganharia com isso? O que eu ganharia diminuindo uma outra pessoa?

No que a minha vida muda se uma outra pessoa gosta de uma criatura do mesmo sexo? Nada, não muda nada. Muito pelo contrário. Se isso a faz feliz, então, ótimo. Seja feliz! O mundo precisa de mais pessoas felizes, pessoas que são aquilo que realmente desejam, que trabalham naquilo que realmente sonham, que estão ao lado daqueles que realmente amam. Isso não é problema. Muito pelo contrário, isso é a solução. E a solução está na liberdade e na igualdade por dignidade.

Então, para quem pensa que outra pessoa é menor e digna de PENA ou DESPREZO por se comportar sexualmente diferente, é bom parar pra pensar.

Abraços!

Rafael Urquisa

25/04/2016

Sobre fazer amizade no ônibus ou sentir Deus cuidar de você

Em 25 de abril de 2016 20:41, Taynan Barbosa <e-mail ocultado> escreveu:

Hoje foi uma daquelas tardes improdutivas pro estudo...

Após o almoço fui pra Biblioteca Central tentar estudar um pouco do MUITO assunto que tenho acumulado pra ler... Sentei em frente ao computador, abri e-mail, baixei arquivos, ensaiei  escrever um artigo, olhei alguns sites, mas nada fluia... Tava com um incômodo chato, uma certa ansiedade pelo nem sei o quê, então após duas horas de tentativa frustrada de fazer algo que se aproveite decidir voltar pra casa...

Ao sair da bib percebi que chovia no campus e um misto de preguiça em abrir a sombrinha e desejo de tomar banho de chuva saí caminhando sentindo o chuvisco fininho que caia... Na parada do ônibus pensava procurando entender o que me incomodava e me impedia de conseguir estudar, talvez seja a quantidade de novos conteúdos que tenho para ler e apreender e a nova rotina que estejam me deixando ansiosa e com um leve receio de não dar conta.. Não soube dizer ali pra mim mesma o que era e ainda não sei... Pensei também entre ir pra casa ou ir direto ao Derby para uma reunião que teria mais tarde... 

Por fim, como no jogo do acaso, desses que gosto de propor a mim mesma vez e sempre, decidi que o primeiro ônibus que passasse eu pegaria (quer fosse p/ casa, quer fosse pro Derby)... Esperei por uns 15 min quando finalmente veio o Macaxeira/Tancredo Neves... Subi no ônibus e vi que tava cheio: "Aff! Ngm merece! Ao menos é BRT tem um pouco mais de espaço/conforto"

E aí que começa a "contação" que quero partilhar hoje...

Eu em pé, percebo que no lado oposto ao que eu estava tinha um rapaz prestas a descer, assim que ele levantou me virei pro lugar que era dele e então vi que ao seu lado tinha duas meninas, uma aproveitou o espaço vago e se afastou mais para ocupá-lo enquanto, ao mesmo tempo fui logo me achegando e dizendo: deixa eu sentar aqui também, cabe nós três ou tem alguém muito gorda aqui?

Elas se juntaram, deram espaço pra eu me sentar e Ludmila disparou: você é uma rainha. - Eu? Ah! Obrigada! Aí foi a vez de Catarina falar: É, qm tem cachinhos é Rainha! (Pegando no meu cabelo) - Vocês também são rainhas! E logo Ludmila (Mel) respondeu: Não, nós temos cabelo liso, quem tem cabelo cacheado é rainha, quem tem cabelo liso é princesa! - Tá bem, então. Eu sou uma rainha e vocês princesas...

Daí se iniciou uma gostosa conversa de pelos menos uns 20 minutos..
Logo quem? Eu que não gosto nadinha de conversar.

Essa breve conversa me rendeu tantas reflexões, mas vou tentar sintetiza-las aqui...

Ludmila perguntou meu nome, respondi e elas se apresentaram... Ludmila (ou Mel, como Catarina a chamava) tem 6 anos, Catarina tem 8. As duas muito simpáticas e afetuosas... Falamos sobre a escola, as brincadeiras que elas gostam, a família... Foi quando entendi que elas q tinham se apresentado como irmãs, na vdd eram primas... E Ludmila me explicou que Catarina tinha um segredo que elas não poderiam contar... Nas cadeiras do lado avó e mãe de Ludmila acompanhavam nossa conversa...  Catarina me perguntou se eu tinha namorado, logo respondi que não. "Não, Catarina! Namorado dá muito aperreio e cabelo branco, ó (e mostrei os fios brancos que já tenho hahah)! Bom mesmo é brincar...

Enfim, falamos tanto, sobre tanta coisa boa nesses minutinhos que me renderia várias outras contações sobre os temas falados e as reflexões que me causaram...

Mas pra não cansar ninguém hoje vou me deter a falar aqui da reflexão maior que essa situação me causou...

Eu sou uma criatura extremamente comunicativa (quem me conhece BEM SABE) e de uma necessidade gregária quase vital, do tipo que puxo conversa em tudo que é canto (sou dessas mesmo) e os ônibus são um lócus bem privilegiado pra isso, todavia venho percebendo ao longo do tempo tenho ficado mais fechada às  pessoas, sobretudo nas minhas andanças viárias, sento, coloco os fones de ouvido e quando alguém puxa papo nem dou mais tanto cartaz...

Mas hoje, justo hoje, tinha que ter duas criaturinhas no ônibus que atrairiam e me fisgariam numa conversa tão boa que me fez repensar o que tem me feito estar mais fechada ao contato com o próximo? Será a rotina, a agitação e correria ou as marcas das relações que tenho traçado na vida e que de alguma forma me impelem a ser minimamente menos expansiva (qse que sem mt sucesso)? Não sei, mas penso que foi bom pra repensar as oportunidades de ter uma boa conversa, partilhar boas coisas... O evangelho das boas novas, por exemplo, em muitas situações cotidianas...

Ainda to pensando sobre isso sem uma conclusão exata sobre...

A outra sensação/reflexão foi sobre o sentir, o cuidar de Deus na nossa vida... Essa tarde que eu tava no misto de desânimo e frustração por não ter conseguido estudar e, enquanto julgava ter "brincado de acaso" sobre que destino tomaria, Deus colocou no meu caminho aquele ônibus com aquelas criaturinhas que me proporcionaram uma conversa tão simples e trivial, mas que me deixaram com o coração mais leve...

Não foi o acaso, NOVAMENTE, foi Deus. Cuidando de mim, colocando duas anjinhas que me remeteram à doçura da infância e me deixaram com o coração leve...

Certa vez eu aprendi, não sei onde nem com quem, que ouvir a voz de Deus é fácil quando buscamos ter contato com ele... É como falar ao telefone com alguém muito próximo a nós, ainda que não tenha identificador do número ao ouvir a voz de um conhecido logo a reconhecemos... E foi exatamente isso que senti nessa tarde... O cuidado e a voz de Deus falando comigo desde o "você é uma rainha", até a despedida quando Mel me apertou e deu um beijo e disse que na próxima vez ela me contaria uma história...

A mãe dela disse que ela não me encontraria mais e eu ainda viajando no nosso papo cabeça e no vínculo que formou ali disse: outro dia vocês pegam esse ônibus de novo e continuamos a conversar.

Concluo que Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom.
E não há nada melhor do que sentir sua presença através de suas criações.
Segui minha jornada rumo minha casa com gratidão e alegria no coração.

23/04/2016

Você já concluiu seus estudos? (Versão II)

 


PARANDO PRA PENSAR sobre a conclusão dos estudos (II)

Em uma formatura de uma amiga, ainda que com alcoolemia elevada, uma coisa me chama a atenção e até arrepia: em meio à descida dos formandos surge uma cabeça branca. É um senhor com a idade por volta de uns 60 anos, talvez mais, talvez menos. De marcha um pouco menos veloz, cabelos totalmente brancos, abdome globoso pela sua fisiologia hormonal já "cansada de guerra" e marcas de experiência no rosto, um típico "senhor de idade", considerando o ponto de vista CRONOLÓGICO, anatômico, fisiológico. Ele desce usando um chapéu de couro, com a música Paraíba de Luiz Gonzaga. Se é paraibano, não sei, se é oriundo do sertão, também não sei. Mas, com certeza, pela idade, pela música, pelo que quis representar naquele momento, houve muita luta e muita superação, assim como comumente é na vida de um sertanejo, na vida de um nordestino. E isso me fez pensar muito no texto que havia escrito "Você já concluiu seus estudos?". E me fez pensar mais ainda e especificamente na frase do filme "O aluno", que até cito no texto: "você não termina de aprender enquanto não tiver terra em seus ouvidos".

E, mais do que admiração, e de ter PARADO PRA PENSAR novamente sobre a conclusão dos nossos estudos, eu parei também pra pensar sobre o quanto eu poderia também devolver para aquele senhor o sentimento que ele me proporcionou. Mas como? Simplesmente valorizando aquilo. Eu poderia ter ido até ele e compartilhado o que eu estou escrevendo aqui agora (depois da formatura), exatamente isso. Tenho certeza que isso faria bem pra ele, valorizaria seu esforço, e poderia motivá-lo mais ainda para sempre continuar nesse sentido. Lembro sempre, há muitos anos, de uma vez que, em uma livraria, quando abri a biografia de Einstein. A primeira frase que li: "A vida é como andar de bicicleta: para ter equilíbrio você tem que se manter em movimento". É isso: se você para de aprender, para de sonhar, para de seguir seu caminho, você cai, você morre enquanto existência (permanecendo apenas como substrato).

E também surge a curiosidade: qual a real idade daquele senhor, o que havia feito todo esse tempo antes, seria a segunda ou terceira graduação, teria agora realizado o sonho de se formar em algo, teria iniciado uma graduação após a aposentadoria? Não sei, assim como também não sei se é paraibano, nem se é do sertão. Não sei de nada, simplesmente porque perdi a OPORTUNIDADE. Já discutimos em texto anterior sobre oportunidade. E essa passou. Perdi. E o tempo corre pra frente. Mas serve de experiência para uma ocasião semelhante no futuro.

Então, quando acharmos que estamos velhos demais para estudar ou que já concluímos os nossos estudos, é bom não só PARAR PRA PENSAR, como também usar a história desse cara como exemplo.

Forte abraço!

Rafael Urquisa

20/04/2016

O quanto a propaganda nos influencia?

 


Documentário "PROPAGANDA":
https://www.youtube.com/watch?v=kO8YP45rAik

Compartilho um documentário interessante, o qual mostra os métodos que a PROPAGANDA utiliza para MANIPULAR, NEUTRALIZAR e/ou ANESTESIAR a sociedade, demonstrando claramente como ela é usada pelas empresas, governos, religiões, grupos terroristas, políticos, arte, etc. Muito bom! Ele mostra, inclusive, a farsa da democracia, disfarçada de simples eleições, e como a propaganda é capaz de despertar a motivação na sociedade de uma forma serena, para que os manipulados sigam à "forca" determinados, felizes e sorridentes (e iludidos). O vídeo se dirige principalmente à influência norte-americana sobre o resto do mundo, contada a partir de uma perspectiva norte-coreana. Vale a pena.

Você é TOTALMENTE responsável pelo que pensa e faz? Será que a propaganda (a mídia) não exerce nenhuma influência sobre isso?

Diante dessas duas questões lembrei da citação de Sócrates: "Quem não pensa é pensado por outros". Às vezes (muitas vezes) (quase sempre) (toda hora) a mídia empurra hábitos e valores guela-a-dentro, pensando por nós, influenciando comportamento, pensamento, valores e o que quer que seja. E aí, independente de vermos essa dualidade norte-americana e norte-coreana um pouco de longe, isso nos permite refletir sobre as influências que NÓS TAMBÉM recebemos e somos manipulados por ESSAS PROPAGANDAS (não só empresariais, mas sociopolíticas de uma forma geral). Ficam essas duas perguntas, então, para se pensar depois do vídeo. :)

Forte abraço!

Rafael Urquisa

11/04/2016

Sobre crescer e perceber que não dependemos de ninguém para ser feliz

Em 11 de abril de 2016 07:57, Taynan Barbosa <e-mail ocultado> escreveu:

Depois de muitos anos namorando eis que a solteirice me permitiu uma grande lição: a de aprender a gostar da minha própria companhia. Isso parece ser muito óbvio para muitos, mas para aqueles que, como eu, são de um espírito gregário e/ou passaram/estão num relacionamento de longa data isso parece soar estranho até.

Não digo que isso implique dizer que antes eu não me amava e/ou que isso ocorria pelo fato de estar num relacionamento amoroso, mas hoje eu acredito que aprender a gostar da própria companhia é uma lição que se aprende aos pouquinhos... E isto se constitui em algo diferente de ser solitário e/ou querer isolar-se, mas da necessidade de ter alguns instantes só consigo mesmo...

Tem sido assim, aos pouquinhos que vou me afeiçoando mais a minha doce companhia...

Hoje foi um daqueles dias preguiçosos onde não dá vontade de fazer nada... Mas eis que me surge a vontade de ir olhar o mar... Pensei em quem poderia ir comigo, mas diante da ausências de candidato/as lembrei da melhor companhia, meu próprio eu.

E foi assim que levantei-me, tomei banho, escolhi uma roupa bonita, me perfumei, botei algumas coisas numa bolsinha e peguei um livro (é, aquele mesmo que tem andado comigo p cima e pra baixo)... Minha mãe acompanhando o movimento indagou aquelas perguntas de praxe: Tu vai sair? Vai pra onde?

- Vou, vou ali na orla olhar o mar.
E ela seguiu... E tu vai com quem? vai encontrar alguém lá?
- Não, mainha. Eu vou sozinha. Vou lá, Já já volto.

Engraçado como aquilo pode ter soado estranho pra ela e talvez até  inacreditável, imaginando que eu apenas n quisesse revelar quem me acompanharia... Mal sabe ela que eu estava indo curtir um pouco da minha companhia fazendo uma das coisas que mais gosto: olhar o mar.

Essa situação me lembrou na hora de uma conversa que tive com uma amiga esses dias... Falávamos justamente sobre fim de relacionamentos longos e da falta que faz ter alguém pra desfrutar de momentos simples no cotidiano... Aí comentei como tenho aprendido a gostar de estar acompanhada de mim mesma e que atividades que antes me pareciam até deprimentes de fazer sozinha, como ir ao cinema, podem ser sim bem agradáveis...

Bem, tô indo lá olhar o mar e esperar ver o Sol se por. Vou bonita, perfumada e feliz com a bela companhia de um livro e de mim mesma.
Quero dedicar essa "contação" pra aquela amiga com quem conversei esses dias e com uma outraa que foi sempre uma grande incentivadora para que eu me permitisse "estar só" sem estar desacompanhada. (:

Enviado do meu iPhone

01/04/2016

Você é melhor do que quem?

 

PARANDO PRA PENSAR sobre o risco da "super-humanidade"

Final do ano passado conheci um bombeiro militar do Estado da Bahia em um congresso que ocorreu em Salvador sobre Suporte Básico de Vida em Cardiologia. E, infelizmente, no início desse ano surgiu a notícia em rede nacional de um bombeiro militar que morreu após ser levado pela correnteza durante um resgate que tentava realizar. Era muito intrigante pensar que poucos meses antes você estava treinando Reanimação Cardiopulmonar com uma pessoa que poucos meses depois entraria para essa estatística.

E isso me voltou à cabeça um dia desses, quando passei em frente a um quartel do Corpo de Bombeiros Militar. E, mais do que refletir sobre as causas do acidente, possíveis descuidos ou não, cabe-nos refletir sobre o risco da "super-humanidade". O fato aqui não é se o bombeiro ultrapassou os limites do que lhe era possível ou não, até porque, quando se ama o que faz, como ele demonstrava fazê-lo, os limites para salvar outra vida são mais flexíveis que o habitual. É de se entender. Mas nos cabe refletir sobre o quanto não somos nada. O quanto nos julgamos melhores e diferentes de todas as outras espécies simplesmente pelo fato de sermos sapiens. Grande bosta! O fato de ser sapiens nos permite apenas uma vida diferente, buscando melhores condições de uma forma mais lógica e planejável. No entanto, não nos torna MELHORES. E é sobre esse risco que me refiro.

Às vezes, o pensamento de que somos capazes de CONTROLAR E MANIPULAR todas as outras coisas, espécies, fenômenos da natureza, traz prepotência, autoconfiança e um sentimento de super-herói da vida. E isso pode ser perigoso, dado o risco que isso envolve. A meteorologia nunca vai ser MELHOR do que a natureza. As boias nunca vão ser MELHORES do que a correnteza. O avião NUNCA vai ser melhor do que a força da gravidade. O remédio NUNCA VAI SER MELHOR do que a morte inevitável. Existem variáveis que são sobre-humanas; e o ser humano, com sua super-humanidade, apenas se ilude de que ele é melhor e pode controlar tudo. Mas não pode. E, caso se tenha (ou ache que tenha) um mínimo de controle, isso não nos torna melhor e ABSOLUTAMENTE SUPERIORES. Não! Você não é melhor do que nada; é apenas diferente.

Bombeiros com muitos anos de profissão e experiência podem morrer no mar. Aviões com muitas horas de voo podem cair. Por que? Por que não somos superiores à natureza. O que te torna melhor que ela? O que te torna melhor que outra pessoa? O que te torna melhor que outro animal? O raciocínio e capacidade de memória? E o teu olfato, compara com o do cão. Então eles se acham melhores que nós por isso. Veja como as coisas são relativas. É muita presunção superestimar a nossa existência.

Então, até antes desse dia eu pensava o quão insano e cômico seria um nadador profissional que entrasse em um mar desconhecido com uma boia abaixo do braço (ou qualquer outro instrumento de flutuação). Seria engraçado. No entanto, conclui que isso seria uma das maiores atitudes de razão e humildade, ao reconhecer que, INEVITAVELMENTE, somos limitados. Aquela cena, a priori cômica, era, na verdade, uma lição de moral para aqueles que acreditam que pelo fato de serem "super-homens", a natureza não engole. Cuidado!

Rafael Urquisa

24/03/2016

Como é não acreditar em Deus, Tici?

Em 24 de março de 2016 01:18, Rafael Urquisa <rafaelurquisa@gmail.com> escreveu:

Tici, deixa eu te fazer uma pergunta bem infantil. É uma curiosidade boba, mas que não conheço nenhuma outra pessoa que eu tenha a liberdade para discutir isso. Como é não acreditar em Deus? Sabe, muitas vezes eu atribuo muitas coisas ao acaso, à sorte, à aleatoriedade, mas algumas eu atribuo a alguma coisa superior (que pode ser Alá, Jesus, Buda, Deus, o-caralho-a-quatro, o nome não importa), a alguma coisa que a gente não pode explicar, e que o simples acaso seria muito perfeito para ser apenas acaso.

A discussão não é baseada em religião, entende? Até porque religião pra mim é estilo de vida. A minha religião é "Rafael Urquisa buscando se melhorar como ser humano", independente de qualquer coisa. A discussão é em cima de acreditar no que é metafísico, no que é abstrato, no que o artigo científico não comprova, entende?

Como é não acreditar? Muitas vezes ao estar em um lugar foda, com uma natureza foda, eu atribuo a existência de um Deus como sendo a natureza. Deus é a natureza. A natureza é milimetricamente perfeita. Mas, inevitavelmente, ainda que sem religião, eu atribuo a algo. Mas eu queria entender como é contigo, como é na tua cabeça?

E, entenda-me, eu só queria entender como um curioso, pelo fato de não poder/conseguir entender isso por mim mesmo, e não com o propósito de julgar ou desmerecer sua forma de pensar e ver o mundo. Muito pelo contrário, até. Se pergunto, é porque tenho respeito e interesse em conhecer sobre.

Valeu, Tici.
Beijo grande e boa noite!

Rafael Urquisa, via dispositivo móvel.

Seja burro, mas não entregue seu certificado de burrice!

 

PARANDO PRA PENSAR sobre a burrice inteligente

Falaremos sobre a burrice inteligente. Claro, por que não? Tenho certeza que vou ser mal compreendido e julgado pelas ideias, mas faz parte. A discordância também nos torna melhor, faz abrir a cabeça e pensar de outro modo, além do qual o nosso software mental está configurado.

Pois bem, certa manhã estava eu em uma entrevista de emprego fazendo a primeira etapa da seleção dos interessados à vaga. Essa primeira etapa consistia em uma prova de conhecimentos específicos para a área de emergência, uma redação e um questionário com umas viagens de Psicologia lá, talvez para entender/avaliar meus comportamentos, perfil, etc. A mulher do RH me entregou a papelada com uma caneta azul, sentei e comecei. Havia uma mulher sentada na minha diagonal à direita que eu nunca vi na vida e um homem duas cadeiras à frente dessa mulher. Enquanto eu, concentrado, fazia a minha prova, ouvia (infelizmente) a mulher se queixando que a prova tava difícil, que não tinha estudado, tentando puxar conversa com o cara da frente e também tentando obter algum lucro desse diálogo, como possíveis respostas para SUA prova. Fechei os ouvidos com os indicadores, apoiando os cotovelos na bancada, para seguir concentrado fazendo a MINHA prova. Pela visão periférica notava a garota inquieta e, por vezes, fazendo alguns movimentos estilo O Exorcista para ver se conseguia entender alguma coisa em azul da minha prova, o que pra mim não fazia diferença. Não sabia o cargo, não sabia nada dela, mas com aquela postura, ainda que copiasse a prova inteira e obtivéssemos nota igual, não era ameaça. E, pra falar a verdade, sempre pensei que a ameaça somos nós mesmos. Se eu sei que estudei, que estou preparado, não importa mais ninguém. Não importa a concorrência. A "luta" sou eu versus eu e o resto versus o resto.

Depois de algum tempo de sofrência, escuto: "tu num sabe essa daqui, não?". Por mais que eu entendesse o desespero, até porque todos nós já passamos por isso, seja na escola, em um vestibular, em um concurso, etc., não podia fazer nada. Eu simplesmente disse que: "Não, sei não.", com uma expressão facial e gesto de "sinto muito / boa sorte / não posso ajudar aqui e agora / e preciso fazer a minha também". Passado mais um tempo, quando umas das mulheres do RH passa próximo da sala, essa candidata se levanta e entrega o seu certificado de burrice ao RH: "Olha, a prova tá difícil. Não estou conseguindo fazer. É que eu não estudei, sabe? A gente pode marcar outro dia?". Nesse momento eu precisei parar a minha prova e direcionar outros órgãos do sentido para o que estava acontecendo, para saber se não era apenas uma alucinação auditiva. A recrutadora (não sei se podemos chamar assim; to tentando evitar usar o termo "a mulher do RH") disse que tudo bem, aceitando a devolução das provas de forma simpática e compreensiva.

Destaquemos uma coisa: a ideia dessa reflexão não é dar ênfase de que não se pode desconhecer as coisas, de que não se pode ser ignorante em um determinado assunto, de que não se pode ser burro nunca, de que você tem que sempre saber das coisas. Não é isso! Jamais! Isso seria extrema presunção e arrogância. No entanto, mesmo diante de uma situação em que você seja o mais burro é preciso agir inteligentemente (não estou comparando a ninguém, refiro-me ao mais burro de você, ao mais burro que você pode ser, até porque isso é extremamente relativo; eu sou burro pra caralho em história, por exemplo, mas não sou em biologia).

E não estou falando que ser inteligente é você OMITIR, ESCONDER, MENTIR que não sabe de algo. Isso é arrogância, falta de humildade. Inteligência nesse ponto seria você reconhecer suas limitações e perceber o QUANTO ISSO PODE COMPROMETER o trajeto até o seu objetivo (no caso, alcançar a vaga pretendida) e correr atrás do prejuízo. A mulher poderia ter feito qualquer coisa, como TENTAR responder o que viesse na cabeça, deixar em branco alguma questão, qualquer coisa, menos ter entregue o Certificado de Burrice. Não é possível que ela não soubesse de absolutamente nada. Eu estou brincando com esse termo, mas isso não quer dizer que a mulher seja realmente burra. Entendam-me. Ela poderia estar com alguns problemas pessoais, sei lá. "N" fatores podem ter levado à "burrice". No entanto, para a empresa, para o RH, ao se comparar com todos os outros candidatos, essa mulher entregou o seu Certificado de Eliminação Automática de Burrice. Esse certificado garante 100% de chance de eliminação em qualquer seleção que se faça na vida (e se existir vida após a morte, também!!!). Garanto! Podem fazer o teste.

Não sou consultor, nem recrutador, mas com um mínimo de raciocínio não é difícil concluir que ninguém quer trabalhar com um profissional que: 1) não está preparado para resolver problemas dentro de sua área/especialidade; 2) desiste de continuar no processo porque se vê incapaz ou, pior do que isso, além de se vê, mostra-se incapaz. Isso quer dizer que é um profissional descartável no mercado? Não, absolutamente não. Pode ser que o investimento nessa pessoa a torne a melhor do Estado. Mas é inegável que é um critério importante de escolha. Pode ser que o investimento seja eficaz, mas pode ser que a pessoa realmente seja uma "porta". Então, é um critério, queiramos ou não.

Eu tenho certeza que qualquer pessoa pode, a partir desse acontecimento, dar a "volta por cima" e em outra oportunidade fazer uma prova excelente. Mas estou me referindo àquele instante, àquela empresa, àquela prova, àquela recrutadora, àquela ATITUDE. Talvez as coisas corram melhor em uma outra circunstância, mas essa oportunidade já era, o filme já foi queimado, a bala já foi gasta, e a primeira impressão ficou/marcou. Mas isso é muito radicalismo, Rafael. Sim, é. Mas não é a verdade? Antes de ser radicalismo ou não, é a verdade. Infelizmente.

Isso pode acontecer com qualquer um de nós, e tudo que acontece serve para a gente reconhecer as limitações e crescer. Isso faz parte da humildade. No entanto, não se expor dessa forma, nessa determinada circunstância não cabe como arrogância, mas proteção; pois, você pode terminar passando uma ideia de que não necessariamente é a sua essência. E em um momento como esse não seria legal deixar essa "primeira impressão".

"A gente pode marcar outro dia?". A recrutadora não respondeu nada; apenas compreendeu o momento. Mas eu imagino (99% de probabilidade) que a resposta na cabeça dela foi "Não, não pode. Sinto muito". Lembra do outro texto de oportunidades? Uma oportunidade foi gasta, foi perdida. Mas o efeito dessa perda poderia ter sido amenizado. Não é porque você sujou a mão de merda que agora você vai colocar na boca, entende? Sejamos inteligentes até mesmo na burrice!

Abraço!

Rafael Urquisa

22/03/2016

Se você fosse taxista, o que pensaria da Uber?

PARANDO PRA PENSAR sobre a intolerância tecnológica

Hoje no Jornal do Commercio saiu uma matéria sobre a discussão de taxista e motorista da Uber, apenas para reafirmar a intolerância a qual vivemos nos tempos hodiernos. Se o cara é índio e dorme na rua, a gente toca fogo. Se o cara é negro, a gente espanca. Se eu desejei e não me quis, a gente estupra e mata. Se bateu atrás do nosso carro, a gente desce com a arma já carregada e atira antes de ouvir as desculpas. Se olhou pro(a) nosso(a) companheiro(a), a gente espanca também. Se a velhinha tá na frente atrapalhando a passagem, a gente empurra e passa pra não se atrasar. Não tem problema nenhum. É normal... Opa! É normal...Olha aí! Incomode-se com a normalidade!

A intolerância hoje em dia não está presente apenas nas relações interpessoais, mas também na aceitação de novas formas de pensar e de fazer algo. É o que acontece com a Uber, uma inovadora forma de pensar e fazer o transporte de pessoas. A Uber iniciou suas atividades aqui em Recife no início desse mês e já se consegue baixar o aplicativo pelo AppStore e GooglePlay. As corridas ficam em torno de 30% mais baratas que as de taxi, por isso a revolta dos taxistas.

É de se entender o desespero de um(a) taxista, pai/mãe de família, com suas necessidades humanas básicas a enfrentar. No entanto, nada justifica o comportamento violento/intolerante diante de uma inovação. É preciso ter em mente que isso é inevitável. Muito em breve os carros não terão motoristas, a gente vai colocar o endereço no celular e vai chegar um carro conduzido por GPS acoplado ao volante e vai nos levar para onde quisermos, e com mais segurança, uma vez que ele respeitará as leis do trânsito roboticamente, do contrário, pelo fato de estar ligado 24h online com o DENATRAN, receberá a multa também online. Esse é o futuro.

E aí, nesse tempo, os motoristas da Uber quebrarão esses carros? E vai ser sempre assim? Então a gente não pode inovar? Não há permissão ético-moral para inovação? Os taxistas solicitam que o Estado tome uma providência. Então o Estado passará a suprimir o avanço tecnológico? Mas que porra é essa?! 

Precisamos pensar que as coisas vão surgindo para o bem geral da população. É unir o útil ao agradável: o motorista da Uber lucra satisfatoriamente e nós, consumidores, pagamos por um serviço melhor e ao mesmo tempo mais barato. Isso tá errado? O que os taxistas precisam fazer é, de fato, cobrar alguma regulamentação por parte do Estado, para que realmente não vire zona. Isso é importante até para a segurança desses consumidores. No entanto, pedir para vetar uma coisa boa para todos aí é muita "semnoçãonidade". E, além de cobrar, procurar meios de se diferenciar. A pergunta deveria ser "como poderemos ser diferentes e/ou melhores?" e não "como poderemos acabar com eles?". A primeira pergunta é mais saudável e gera SEMPRE MAIS EVOLUÇÃO. Essa é a ideia.

A tecnologia vem para ajudar. Imaginem uma empresa que descobre como transformar a água do esgoto como adequada para o consumo humano. Sendo assim, todas as empresas de águas minerais vão processá-la porque isso é desleal com as empresas de venda e produção de água mineral? Peraí, né. Desse jeito é caminhar pra trás. Se for assim, daqui a pouco a gente tá acendendo o fogão batendo uma pedra na outra.

Alguém já testou os serviços da Uber? Tô curioso. Mas que tenhamos cuidado ao utilizar!
E, ao mesmo tempo, tenhamos a paciência para entender a desaprovação de um taxista.

Abraço!

Rafael Urquisa

20/03/2016

Você anda criando oportunidades?

 

PARANDO PRA PENSAR sobre oportunidades

Certa manhã a campanhia tocou. Fui atender e à frente do portão estava um senhor de boné, bermuda jeans, calçado de galocha (com meias) ao lado de uma carroça feita com uma geladeira velha a qual a porta foi arrancada, com um eixo passando por baixo e um par de rodas de carro com pneus carecas, presa a um cavalo manso, magrinho e cor de burro quando foge. Ele olhou pra mim e, em seguida, pro jardim em frente de casa, meio que me "obrigando" a concordar com ele que a grama estava gigante, que o jardim estava horroroso, mal cuidado e sugeriu: "- Quer que ajeite? Eu ajeito... Vai ficar, oh, lindo!". Eu lhe respondi: "- Não, não precisa. Obrigado!". Ele aceitou a negativa, seguiu e eu fechei o portão.

Comentei sobre o que aconteceu com minha mãe, já pensando que talvez fosse uma boa ideia. E rapidamente concordamos que, de fato, o jardim estava  parecendo a floresta amazônica e que precisava de um cuidado. Volto para frente de casa e avisto o senhor já um pouco distante e vou atrás dele. Pergunto por quanto ele faria o trabalho e ele me responde, entusiasmado com a OPORTUNIDADE. E eu: "- Beleza. Então, vamos lá. Quero ver se vai ficar bonito mesmo, hein?!", pergunto meio que cobrando carinho pelo trabalho.

E ai, parando pra pensar, surgiu a sacada: a oportunidade é você quem cria, é você quem toca na campanhia e chama a oportunidade. PRA TUDO, não apenas no contexto profissional. Se aquele senhor ou qualquer outra pessoa não tivesse tocado a campanhia e tivesse "vendido o seu peixe", fazendo acreditar que seria uma boa ideia ter alguém que cuidasse do jardim naquele momento, além de mim e dos meus pais, ou em épocas que não tivéssemos tanto tempo ou disposição para tal, jamais a oportunidade haveria se concretizado.

Pois bem, o rapaz podou tudo, colocou fertilizante, foi extremamente simpático e educado. E, diante disso, pensamos que também seria bom ajeitarmos uma parte das plantas que ficam do lado de dentro de casa. Uma OPORTUNIDADE gerando outra OPORTUNIDADE.

MORAL DA HISTÓRIA: as oportunidades que você cria te dão a possibilidade para que apareçam outras oportunidades, a depender do QUE e COMO você fez com a primeira oportunidade que te foi oferecida.

E como você faz é todo o segredo. Ele poderia ter feito de qualquer jeito. Mas tenho certeza que ele fez o melhor. É o que o Mário Sérgio Cortella diz no seu livro "Qual é a tua obra?" em relação ao "melhor" e ao "possível". Tipo: você leva seu carro com problema na oficina e o mecânico pode te dar duas respostas: "vou fazer o possível, ok?" ou "vou fazer o meu melhor, ok?". Qual dos dois você prefere? Se fosse pra fazer o possível, eu mesmo faria. Se deleguei para alguém que se propõe a fazer isso é porque eu espero, no mínimo, que se faça o melhor.

E esse melhor não quer dizer que o cara tem que ser o melhor de todos os tempos ou melhor que qualquer outra pessoa. Refiro-me AO MELHOR DELE, O MELHOR QUE ELE PODE SER dentro de um determinado contexto, com os recursos disponíveis. É isso que to falando: fazer o seu melhor com o que há disponível, dentro das possibilidades do aqui e do agora.

E assim, ao final de tudo, pagamos SATISFEITOS, retribuímos a educação e o respeito, elogiamos o serviço (valorização! reforçar positivamente! isso é importante! isso motiva!), pegamos o contato do cara e já deixamos meio que "virtualmente pactuado" uma próxima oportunidade.

E aí, anda criando oportunidades, anda "tocando nas campanhias", anda fazendo o seu melhor? Se não, é bom parar pra pensar...

Forte abraço!

Rafael Urquisa

19/03/2016

Você já concluiu seus estudos?

 

PARANDO PRA PENSAR sobre a conclusão dos estudos

E aí, você já terminou seus estudos? Terminou o ensino médio? Terminou o curso técnico? Terminou a faculdade? E aquela pós-graduação? Massa! Depois disso, então, é só trabalhar; só colocar em prática o que aprendeu, né? Errado!

Assisti há pouco o filme "o aluno", disponível no Netflix, que conta a história (real) de um queniano que começa a estudar aos 84 anos. Bem no começo do filme algum personagem fala a frase: "a educação é a chave e nós somos o cadeado". Ou seja, sem a chave o cadeado vai permanecer fechado, a porta vai permanecer fechada. Não há desenvolvimento. Não há liberdade!

E, já no final do filme, a professora fala: "você não termina de aprender enquanto não tiver terra em seus ouvidos". Isso quer dizer que o aprendizado não acaba. Não se tem idade para terminar de estudar. A conclusão dos nossos estudos é a maior bobagem que se colocou na cabeça das pessoas. Toda hora é hora!

Paulinho Moska diz em uma de suas músicas de título "Muito Pouco": "todo dia é dia de aprender um pouco do muito do que a vida traz". É exatamente essa a ideia. Diante de tanta coisa, todo dia é dia de aprender alguma coisa. Aí muitos pensam: "Poxa, mas já estou com 70 anos. Se eu começar uma faculdade agora só vou terminar com 74 anos". Cara, veja só, independente de qualquer coisa, o tempo só corre pra frente. Sendo assim, em 4 anos você estaria com 74 com ou sem a faculdade. O tempo vai passar do mesmo jeito.


Outro ponto crucial do filme é o de que muitas vezes subestimamos as pessoas pelo que elas usam (ou deixam de usar), pelo que elas parecem ser (ou deixam de ser), pela idade delas ("- Velhos? Ah, velhos não servem para nada!"), por não estarem dentro dos "padrões normais" da sociedade, fechando-nos a não dar oportunidade para absorver qualquer coisa que venha daquela outra pessoa que julgamos "inferior", quando, na verdade, podemos aprender muito mais com essas do que com aqueles que só vestem terno e gravata com pós-doutorado em Harvard mas só olham pro seu umbigo.

Então, se você acha que está velho demais para estudar ou que já concluiu os seus estudos, é bom parar pra pensar...

Forte abraço!

Rafael Urquisa


18/03/2016

Por quê? Porque é normal.

Olá! Bom dia!
Por que as pessoas fazem de um modo e não do outro?
Já pensou que muitas vezes fazemos as coisas simplesmente porque é socialmente normal?
Não é sempre, mas talvez isso possa ser um problema.

PARANDO PRA PENSAR sobre a deletéria normalidade

Incomode-se com o "é porque é normal", "é porque aqui é assim", "é porque é a rotina do serviço". Isso não é justificativa para nada!

Se você observar na história, ninguém nunca se destacou fazendo o normal, o de sempre, a rotina. Não estou falando que precisamos revolucionar o mundo e mudar tudo. Não é isso. Mas, simplesmente, na possibilidade de uma nova estratégia ou de um novo olhar, jamais aceite o argumento de uma outra pessoa falando para você continuar do jeito que está pelo fato de que "isso já é a rotina do serviço".

Permita experimentar. Se der merda a gente volta para o que tínhamos antes, para a "segurança" de antes. Para saber se realmente a realidade atual é a melhor, precisamos de uma comparação com outra. Mas para haver outra realidade é preciso inovar a atual. E não se faz isso com a mentalidade fixa de que "assim é normal", "já é rotina", "tá bom assim", "já estamos acostumados".

Eu ficava muito irritado (mentira, eu ficava puto mesmo) quando estava em estágio nos hospitais e perguntava alguma coisa para a professora: - "Por que eles fazem assim aqui?" / "Por que eles fazem desse modo?" / "Por que isso é assim e não como a gente viu na aula/no livro?". E obtinha a resposta que eu não desejo a nenhum estudante/aprendiz/formando: - "Porque é rotina". Puta que pariu. Isso não existe! O mínimo de zelo que um EDUCADOR poderia ter era não tolher o espírito crítico do seu EDUCANDO.

"Porque é rotina" não é resposta, acima de tudo quando se trata de uma formação universitária. Já imaginou você estudando Administração de Medicamentos, por exemplo, e tem lá escrito na melhor literatura do ramo: "volumes maiores que 3 ml devem ser aplicados no glúteo, pois sempre foi assim e nunca houve relatos de problemas". Caralho! Como assim? Isso é ciência? ​​Ok, pesquisadores afirmarão que o científico parte da hipótese. Concordo. Mas, calma... Se estivéssemos no século II A.C. essa afirmação do livro seria razoável, aplicável. Mas o​ tempo é outro. E, definitivamente, existem​ fundamentos melhores!

E o pior de tudo é um professor reforçar isso: a política do "é porque é rotina". Aí a pessoa pensa: "Porra, essa galera estudou pra aplicar a rotina? Caramba, mas que bosta de formação é que estamos tendo?!". O professor tem que ter em mente de que sua função, além de simplesmente passar o conteúdo, é de mediar o conhecimento, de transformar a vida do ser que aprende. E, como disse a Bel Pesce, "o segredo da transformação está em como você faz a pessoa se sentir". Professores precisam fazer os seus alunos se sentirem FODA, para que a transformação seja nessa direção, de ser FODA. Se você faz um aluno se sentir um idiota, aí vai dar merda.

E você, o que pensa sobre isso?

Forte abraço!

Rafael Urquisa

13/03/2016

Insights durante o filme Walt antes do Mickey


1. Todas as adversidades, todos os problemas, todos os obstáculos só tornam a gente mais forte, mais maduros.
2. Se você não acredita em você mesmo, ninguém mais vai acreditar.
3. Você nunca consegue nada sozinho.
3.1. Você nunca consegue nada sozinho mesmo!
3.2. É importante que pessoas incorruptíveis (ou com um mínimo de decência) estejam ao seu lado e do seu lado.
3.2.1. Destaco AO SEU LADO e DO SEU LADO pelo fato de que muitas vezes temos pessoas AO NOSSO LADO (AO LADO DE), mas que, na verdade, estão DO LADO DO ADVERSÁRIO. Cuidado ao utilizar esses termos. Mais cuidado ainda com essas pessoas!
4. Amor pela causa é muito mais importante que dinheiro na causa!
4.1. O dinheiro é importante, ou melhor, necessário. Mas ele é consequência. Se for o único objetivo, a meta, o propósito, tem alguma coisa errada.
5. "Você é a média das 5 pessoas que você mais convive". Ou seja, em busca de um objetivo procure estar com quem também abrace a causa para encontrar o mesmo objetivo. Isso mantém o foco e estimula a sempre convergir todo o resto para o objetivo.

Recomendo o filme. Muito bom.

Forte abraço!

Rafael Urquisa

12/03/2016

Documentário massa no Netflix sobre os mineradores no Chile

Hola, chicos y chicas!

Eu compartilharia esse documentário no Facebook. No entanto, como estou sem ele, compartilho com vocês. Algumas pessoas compartilho pela afinidade que teriam com o determinado tema que estou tratando, outras pelo fato de que gostariam das reflexões, outras pela proximidade/semelhança de pensamentos. Mas, caso não goste ou não queira mais receber, é só avisar. Sem problemas!

- Ah, Rafael, e por que essa necessidade de compartilhar? Respondo: por que não compartilhar? O que eu acho massa/foda/interessante/do caralho!, eu compartilho. Outras pessoas também podem achar massa/foda/interessante/do caralho!, mas simplesmente não tiveram a oportunidade que eu tive de TER A OPORTUNIDADE de ver/ler/ouvir/pensar determinada coisa. Informações massa/foda/interessante/do caralho! precisam ser compartilhadas. "Alegria compartilhada é alegria redobrada!"

Outro motivo pelo qual compartilho (esse é pessoal, "egoísta", "individualista"...) é pelo fato de que quando eu escrevo ou falo sobre um determinado assunto isso se torna mais concreto nas minhas ideias. E também é uma oportunidade de, escrevendo, organizar e amadurecer o que aprendi em relação a qualquer coisa. É aquele clichê: quando você escuta ou vê, você aprende; mas quando você ensina ou conta aquilo que viu, o aprendizado se torna mais forte, mais maduro, mais concreto!

Bem, deixemos de conversa fiada. Olha só, o Netflix tem um documentário muito massa (ou foda/interessante/do caralho!) sobre aquele caso dos mineradores no Chile, cujo título é "Enterrado vivos: mineiros no Chile". Existe também o filme "Os 33". Tem tudo lá no Netflix. Recomendo ambos! O filme é mais bem trabalhado, com um drama muito mais envolvente. Mas o documentário, sem dúvidas, e como já esperado, é mais crítico, mais realista, mais interessante.

A mineração no Chile é o "motor-econômico" do país, com destaque para o cobre, responsável por uma boa parcela no PIB e nas exportações. Por isso que é até bem comum ver nas ruas lembrancinhas turísticas de cobre, como abridores de garrafa, ímã de geladeira, chaveiros, acendedor de cigarro, essa coisas.

E aí, correlacionando a mineração com a história política do Chile, exatamente pelo fato de a mineração ser o carro-chefe da economia do Chile é que o presidente Salvador Allende se lascou e o golpe militar de Pinochet (junto com os EUA) assumiu. Allende nacionalizou as mineradoras no Chile em seu governo, para que as riquezas produzidas por ela (produzidas dentro do Chile), fossem distribuídas no Chile para o Chile. Antes de Allende muitas mineradoras eram geridas/manipuladas por empresas norte-americanas, e o fato de ele dizer "dá licença que isso aqui é nosso" para os EUA, magoou os colegas americanos, que vivem o lema "américa para os americanos" (​leia-se:​ ​americanos = norte-americanos), ou seja,​ ​​a ideia era:​ ​"a gente fode todo mundo e se dá bem; tudo tranquilo e favorável". O que Allende quis dizer foi: "América para os americanos uma porra. Isso aqui é nosso. O dinheiro que for gerado através daqui tem que ser utilizado aqui, e não levado para outro país enquanto a gente aqui se lasca". E aí, como os EUA não sabe​​ brincar, lascaram o Chile, fecha​ndo​​ ​as relações econômicas, políticas, comerciais e arquitetaram o golpe de Estado. Só para entender melhor: apesar de não querer os EUA assumindo controle das mineradoras, muitas das tecnologias de ponta utilizadas na mineração eram norte-americanas. E os EUA começou a negar a oferta dessas tecnologias envolvidas no minério para o Chile, fazendo com que a mineração ficasse impossibilitada de prosseguir. Resumindo, EUA lascou a economia do Chile, uma vez que a mineração representa importante contribuição no PIB do país. Existem outros pontos também nesse contexto do governo de Allende, mas não cabe aqui. Vamos nos limitar a falar ao que tange​ ​​à​ mineração.​​

Retomando, a mineradora onde os chilenos ficaram presos fica no Atacama. Pesquisem sobre o Atacama, talvez lá seja o lugar mais bonito do mundo. Aliás, talvez lá seja o lugar mais bonito de qualquer outro mundo que exista.

No entanto, apesar de um lindo lugar, a mineradora não era tão linda assim. Existiam muitas irregularidades, que inclusive são relatadas no documentário e no filme, como por exemplo, uma saída de emergência SEM SAÍDA. Não existia. Como pode? Era uma saída que na metade do caminho não dava em nada, não foi concluída. Por que não foi? Por que seria mais gastos para a empresa. Então era melhor "deixar pra lá". Acho que pensaram assim. Ou então, os donos: "foda-se! se essa porra cair (desabar) eu não vou estar lá mesmo... então, problema de quem estiver lá. A probabilidade de morrer de imediato é mais alta do que ficar vivo e procurar la ruta de evacuación".

A mineração é realmente um trabalho perigoso e esse não foi o primeiro acidente, principalmente quando se trata de mineradoras pequenas, mais susceptíveis aos "arrumadinhos", negligenciando as questões de segurança do trabalho. E por que negligenciam? Por que isso gasta dinheiro! Gasta tempo! E tempo e dinheiro são duas coisas que, definitivamente, o dono da mina não quer perder, mesmo que para isso algumas vidas precisem ser perdidas. Mas, de forma bem opressora e para calar a boca dos funcionários, essa mina pagava salários mais altos ao trabalhadores, JUSTAMENTE para que o dinheiro falasse mais alto do que o perigo de se trabalhar nela. E, para quem precisava, tinha filho para alimentar e todas as outras necessidades humanas básicas, sujeitava-se ao risco em troca de uma garantia de trabalho ou de melhoria de salário. Olha quanta coisa dá pra'gente discutir/refletir em cima de uma "besteira".

Outro ponto interessante é a participação do Gobierno de Chile na busca e salvamento dos mineiros soterrados. Muito dinheiro e tecnologia foi investido nisso. A gente vê no documentário e no filme que o governo foi bem incisivo no resgate dos 33 mineiros. Mas aí vem a pergunta: o ministério de minas não deveria fiscalizar essas mineradoras que trabalham de forma errada? Isso seria investir em prevenção. Esse é o primeiro ponto! Será que o governo atuou tão fortemente nesse resgate pelo "peso na consciência", pelo fato de ter ocorrido por negligência sua e, por isso, estar com "o seu na reta"? Ou será que foi pela pressão social que os familiares fizeram na mídia? Não sei. Apesar de tudo isso, o Chile é um país bem nacionalista. Então, pode ser que o governo/presidente/ministério de minas realmente tenha abraçado a causa e tornado aquilo como prioridade. Mas, sei lá.

Pois bem, o documentário é massa e bem curtinho (47 minutos). Recomendo!
Reflitam e compartilhem comigo também as coisas que vocês observarem.

Forte abraço!

Rafael Urquisa.